E lá se vão 12 meses…

Hoje o dia amanheceu estranho. Me dei conta de que 12 meses se passaram desde aquela terrível noite de quarta-feira. Ainda me lembro com detalhes de como recebi a notícia de que você havia nos deixado, para sempre. E, apesar de todo mal que você me fez, das lágrimas que derramei enquanto você brincava com meus sentimentos e das noites que passei em claro tentando entender os motivos, uma parte do meu coração sente falta das ligações de madrugada, das pedras na minha janela, dos encontros inesperados, das brigas, dos pedidos para que  não me procurasse novamente e dos conselhos malucos que trocávamos.

Tudo continua no seu lugar. Vida que segue, não é mesmo?! Nesse um ano tivemos que tocar as coisas por aqui, continuar trabalhando e estudando. Tivemos que sorrir para os outros, ir em aniversários, comprar roupas e comer naquela lanchonete que você gostava. Nada parou. Nada mudou. E isso, por um lado, faz com que eu sinta ainda mais a sua perda. Como pode? Perdemos uma pessoa com um sorriso incrível, com um dom de fazer com que não ficássemos com raiva de suas loucuras e com uma vida inteira pela frente. Isso não basta para que as coisas mudem por aqui?

Não. Infelizmente é assim que tem que ser.

Me desculpe por não ter ido me despedir. Pensei muito se ia ou não. Mas tive meus motivos. Imagino que saiba o porquê. Não queria criar uma situação indelicada. De maneira alguma deixei de elevar meus pensamentos à sua família. E até hoje penso neles, sabia?! Sei como você era amado e mimado (rs) pelos seus pais. Seus irmãos continuam muito educados, e sempre me cumprimentam quando nos encontramos pelas ruas do bairro. Falando em nosso bairro, continua tudo a mesma coisa. Mas vira e mexe escuto um dos meninos falar em você, com uma camisa branca estampada com seu rosto. É bonito de ser ver.

Bom, você faz falta. Mas em breve todos nós estaremos em um só lugar. Enquanto isso, eu só peço que você olhe por nós. Estamos sempre pensando em você, com carinho, alegria e uma saudade bem grande.