Deixa ser

Quando temos que lidar com uma pessoa do passado, que na verdade não passou, é como se estivéssemos pisando em ovos já quebrados. A probabilidade de ser surpreendida, tanto positiva quando negativamente, é quase zero. Não tem expectativa, não tem um sentimento vivo. É só um cais. Só! Como se um cais fosse pouco. Pra onde a gente sempre volta.  A dúvida é: Até quando? Me assusta não saber. O fato de não conseguir me desvencilhar de uma pessoa, de uma história, do passado… Desconfio que esse seja o mal que assola os protagonistas de histórias mal resolvidas. Por mais que a gente queira, tem uma coisa inexplicável e louca, que nos faz voltar para o cais. Um cais de um porto que de seguro não tem nada.

Tem pessoas que tem o poder incrível de entrar na vida da gente e ficar, e fazer com que, involuntariamente, não queiramos que elas saiam, quando deveríamos querer, por conta de desgastes e transtornos do passado. Acontece que tudo de ruim ficou no passado. Engraçado como o filtro de coisas boas e ruins da vida me sabota. Realmente, de ruim fica pouco! Esporadicamente roda um filme na minha cabeça, um longuíssima metragem sem fim. Se eu me incomodo? Um pouco. Mas não o bastante, a ponto de querer que tenha um fim. Pela lógica, eu deveria querer! Na teoria, às vezes até quero. Mas na prática… Não acontece!

Tenho uma amiga que diz, curta e grosseiramente: -Corte o mal pela raiz! Não com essas palavras, mas é exatamente isso que ela quer dizer. Tem outra que diz: – Encare! Quanto mais você se jogar, mais brecha vai dar para que sofra uma decepção definitiva. Nem uma coisa nem outra. Quando você sabe onde está pisando, não corre grandes riscos! Lembra? Ovos quebrados. Procuro me resolver em silêncio. Ou não me resolver, e deixar o tempo me dar as respostas. Melhor coisa que tenho feito! Não vou cortar, não vou entrar nessa de encarar e esperar que algo péssimo aconteça. Até porque, dificilmente o algo péssimo iria me surpreender.

Sentimento é sinônimo de confusão! Até quando não está vivo. E existe sentimento morto por acaso?! Prefiro pensar que sim, apesar de saber que não. Existe adormecido. E eu definitivamente não quero falar sobre isso! Por algum motivo dessa vida, o universo conspira para que eu sempre volte para o mesmo cais. E ainda me faz sorrir, ainda me traz um pouquinho de paz, então… Deixa ser. Deixa estar.

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